O sargento vai pagar o pato sozinho

10 jan 2012 by josé carlos vaz, 31 Comments »

Nesta segunda-feira, pudemos assistir a uma das cada vez mais frequentes aulas de democracia que tëm sido oferecidas à comunidade da USP.

A cena, que circula no youtube, dispensa adjetivos. A reitoria manda a PM desalojar o DCE, sem ordem judicial, sem diálogo. Os estudantes tentam conversar, civilizadamente. Até que um sargento da PM percebe que há um rapaz negro ali. Desacredita que possa ser estudante da USP e pede sua identificação, apesar de não a ter pedido aos demais, iniciando aí um ritual de violência física e moral. Agride, saca o revólver e humilha o jovem estudante, e por tabela humilha a todos nós. O outro policial assiste e pouco faz para impedir. Os seguranças (ou membros da guarda universitária, não consegui ter certeza), também pouco fazem, e um deles ainda ajuda o policial agressor, sendo, portanto, co-autor dos crimes.


Fiquei revoltado. Não consigo admitir que se agridam os estudantes, concorde ou não com suas posições. Visitei a página da USP na internet: deve haver alguma nota de repúdio contra a atitude do PM, eu pensei. Nada. Silêncio cúmplice, apenas.

Essa é a herança que foi legada à USP pela desrespeitosa atitude do então governador Serra para com a universidade: uma direção que silencia quando seus estudantes são agredidos e vítimas de racismo. Entre a truculência da polícia e o diálogo, escolhe o caminho da violência e do desrespeito aos direitos humanos. Para onde vai uma universidade cuja direção perde a cada dia o que quer que ainda lhe reste de legitimidade moral, incapaz manter um ambiente democrático e de diálogo? Infelizmente, agora é isso: a USP aparece mais nas páginas policiais do que em notícias sobre suas realizações. E a USP, com o auxílio da polícia militar, vai aprofundando sua crise de liderança acadêmica e moral. Hoje, novamente, sinto vergonha de ser professor da USP.

Para culminar, chega a notícia: o sargento vai ser afastado, e será alvo de uma sindicância. Talvez, até sofra alguma punição incomum, por fazer o que sempre se faz por aí: bater em um jovem negro. Apenas porque deu azar de ser filmado. Como sempre, a corda vai estourar no lado mais fraco: um trabalhador que não recebe preparo adequado para sua função, com um emprego perigoso e mal-remunerado, será o único punido pelo erro que cometeu, mas do qual nem é o maior responsável.

Para os grandes responsáveis, aqueles que preparam os policiais para serem despreparados, aqueles que colocam esses policiais despreparados para atuar no ambiente universitário, aqueles que criminalizam qualquer movimento social e reprimem a discordância, nenhuma punição virá, exceto o desprezo dos homens e mulheres de bem.

31 Comments

  1. Wagner Kimura disse:

    Perfeito Vaz,

    Como eu disse em um outro post no facebook, o submundo do crime não pode ser nivelado com um ambiente universitário.

    abs

  2. Régis Guariente disse:

    Hi, teacher!
    Apenas como adendo, o aluno agredido covardemente nestas imagens, salvo engano, era aluno do curso de LCN da EACH (isso pelo menos em 2009 qdo ainda era aluno desta instituição de ensino). Tenho quase certeza disso.
    Abçs.

  3. André Diniz disse:

    A Universidade de São Paulo está desaprendendo a ensinar e está caminhando para um conflito inexorável entre o senso de democracia do mundo que a cerca e o autoritarismo do pequeno-poder.

  4. Joyce Ribeiro disse:

    Régis o aluno é o Nicolas ele é de LCN sim…aluno da Each

  5. Milena Leão disse:

    Comparto com você professor. Hoje também tenho vergonha de fazer parte desta comunidade academica. Tenho vergonha de fazer parte de um estado sofre nas mãos de um partido que vem aterrorizando parte da população sobre a conivência da outra parte. A representatividade de negros dentro da universidade por si só já é uma violencia e a violencia fisica a essa minoria é o extremo que poderiamos chegar…

  6. Lauro Nunes disse:

    Professor,

    Existe um outro vídeo, continuação desse que postou. Está no YT como ” PM agride aluno na USP 09/01/2012 Parte 2″. O link é

    http://www.youtube.com/watch?v=oHthT-YtNSo&feature=player_embedded.

  7. francisca disse:

    Acho engraçado mostrarem isso como se policiais não agissem assim EM QUALQUER LUGAR. E por agirem assim em qualquer lugar é que deveriam ser julgados, não apenas por terem humilhado um estudante, que é uma pessoa tanto quanto qualquer outra que já sofreu esse tipo de violência.

    Não estou em momento algum concordando com a atitude do policial, mas porque é que quando é um estudante é que há revolta? Não se trata de uma pessoa mais importante que nenhuma outra, todos deveriam ter a mesma importância.

  8. Rubens Lyra disse:

    A USP avisou que não se pronunciara sobre o caso!!

    Sem palavras!!

  9. Moisés disse:

    Agora com a elite sendo atingida pela truculência, quem sabe a polícia muda. Quando era só a periferia, não tinha problema…

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  10. renato guimarães disse:

    Agora todo mundo fica indignado só pq é aluno da usp, na periferia isso acontece direto e ninguém fala nada, esses caras que ficam invadindo reitoria de faculdade por causas e ideais após formados poderiam ir na periferia e realizar trabalhos voluntários mas não depois que formados esquecem seus ideias e causas.

  11. Alex disse:

    Uma das coisas que um sociólogo deve saber é conviver em sociedade, cumprindo suas leis e saber e compreender, pelo menos um pouquinho, de normas penais e os motivos pelos quais elas existem. O nobre professor José Carlos Vez, em seu texto, comenta “…Até que um sargento da PM percebe que há um rapaz negro ali.” dando a entender que o policial é racista. Professor, racismo é outra coisa. O nobre amigo continua e diz “Desacredita que possa ser estudante da USP e pede sua identificação”… “iniciando aí um ritual de violência física e moral.” Primeiro, o nobre professor demonstra ignorância ao desconhecer que qualquer autoridade policial tem esse poder de fiscalizar a documentação de qualquer pessoa, o que é o chamado “poder de polícia”. Em segundo lugar, o nobre professor desconhece que o policial, talvez, não seja pai ou irmão do jovem negro, por tal motivo, não o conhece, ensejando a necessidade de confirmação documental de quem ele era. É simples: hj, sou sociólogo, ontem fui sorveteiro e, amanhã… posso ser aluno da USP ou até tomar o lugar do policial. Agora, será que se eu falar ao nobre professor que fui tudo isso ele acreditará? Ou terei que provar por meio de documentação? Isso poderá provocar em mim uma violência física e moral, hein? Mas se eu não comprovar que fui tudo isso, o nobre professor, certamente, acreditará… ou não? Por fim, não observei o professor fazer qualquer comentário a respeito de pleitear melhores salários aos policiais militares, o que, como sociólogo, deveria fazer vez que, sem autoridades, no meu entender, não existe democracia. Não observei ainda o amigo professor fazer quaisquer comentários de que o uso de entorpecentes por estudantes no interior da USP pode ser caso de saúde pública ou, na pior das hipóteses, crime. o que, em mim, causa realmente uma violência física e moral. Conhecendo o círculo estudantil como conheço, tenho a certeza absoluta que o aluno agredido promoveu, propositadamente, o descontrole daquele agente da lei, que é o meu anteparo diante deste Estado Democrático de Pseudos-Direitos que sociólogos demagôgos sociólogos deixaram para minha herança.

    • Felipe disse:

      Alex,

      Você viu muito bem no video que o PM só pediu a identificação do aluno negro, de nenhum outro.

      Também leu no penúltimo parágrafo, quinta linha, que o professor fez menção aos baixos salarios dos policiais, mas você fez de conta que não viu, talvez por conta de seu recalque.

      E ainda fica falando de drogas, que não tem nada a ver com o assunto aqui discutido.

      Você viu no vídeo que o aluno estava lá no fundo, e o policial partiu para a agressão.

      Vá a um psicólogo resolver seu trauma com sociólogos… Antes que você também fique descontrolado quando encontrar um…

    • Humberto disse:

      Caro Alex,
      Quem demonstra total ignorância é o senhor. Pois, realmente a autoridade policial tem o poder de SOLICITAR a documentação de qualquer pessoa. Mas nenhuma pessoa é legalmente OBRIGADA a apresentar documentação ao policial, sendo que desta forma, tanto policial como “SUSPEITO” devem seguir ao Distrito Policial mais próximo à fim das devidas apresentações.
      Outra coisa, nobre colega, da mesma forma toda e qualquer autoridade da polícia militar deve manter a placa de identificação fixada em seu uniforme, o que não veio ao caso com o sargento em questão.
      No mais, tratar da forma como você tratou o excelentíssimo professor José Carlos Vaz, demonstra o quanto ignorante vossa pessoa é.

  12. Bruno disse:

    Felipe, o policial não é obrigado a pedir a identificação de todos os alunos ali presentes se ele não quiser. Ele tem o poder legal de agir discricionariamente em suas abordagens, desde que isso não atinja o princípio da imparcialidade.Até porque, imagine só que caos que seria se cada vez que um policial fosse abordar alguém na rua tivesse que abordar todos os presentes, só para não dar margem à interpretações superficiais.
    Além disso, não notei, embora possa estar errado pq só assisti o vídeo uma vez, o aluno mostrar a tal identificação, logo, não cumpriu a ordem legal emanada de uma autoridade competente, o que eu suponho que configure uma desobediência de acordo com a lei penal vigente. Também não vi qualquer referência do policial quanto a cor da pele do rapaz., acho meio precoce falar de preconceito e racismo só com base no que o vídeo mostra.

    • Humberto disse:

      Segundo os princípios do Direito Administrativo, todo e qualquer funcionário público (polícia militar também conta) deve agir sobre o princípio da IMPESSOALIDADE, ou seja, neste caso, ao solicitar a documentação comprobatória do aluno agredido, deveria ter-se dirigido a todos os demais presentes também.

  13. Mauro disse:

    pois é… esse bando de “estudantes” querem o dce pra fazer ponto de venda e/ou consumo de drogas…

  14. Mauro disse:

    concordo em tudo com o que o Bruno disse…
    assino embaixo.

  15. Alex disse:

    Bruno, Mauro. Não quero polemizar mas houve uma precipitação do policial. Não era o caso de sacar a arma ou render-se a provocação do estudante que, certamente, ocorreu. O policial levou a provocação para seu lado pessoal. Talvez, melhor solução, seria pedir reforços a outros policiais, a reitoria… Agora, quanto a negativa deste estudante – que, por azar da autoridade, é negro -, em mostrar seus documentos não afronta somente a autoridade mas a todos nós que, querendo ou não, dependemos dela. Infelizmente, aquele trabalhador brasileiro – já, por sabença notória, estressado em seu ofício – agiu por um impulso descabido. Talvez, nós faríamos a mesma coisa vez que, querendo ou não, ele estava lidando com “crianças” querendo ser gente grande para salvar o mundo, depredando o patrimônio público pago com nossos impostos e fazendo uso de drogas. Por fim, sempre dizemos que nossas autoridades são mal preparadas mas nós nunca apresentamos um modelo de preparo. Ninguém, até o momento, nem mesmo o nobre Prof. José Carlos Vaz, ou o Felipe, mencionaram a maneira como o policial deveria agir. Como agiria o policial preparado? Alguém sabe? Qual seria o salário de um policial preparado? Qual seria um bom carro de polícia para ele dirigir? Se ele (policial), com a negativa do estudante em demonstrar seus documentos, desse-lhe as costas e fosse embora, estaria correto? E se fizesse isso com algum assaltante que se negasse a rendição, também estaria? Que o policial errou, errou mas, no meu entender, errou tentando acertar, tentando defender meus impostos que pago para financiar aquele prédio, aquela área toda da USP, cada faxineiro que ali trabalha e os altos salários dos professores da USP, entre outras coisas. E para que? Para formarmos afrontadores da lei com carapaça de “pensadores intelectuais” com a demagogia que, assim, se salva a sociedade. Esses afrontadores da sociedade, pra mim, são piores do que aqueles que desviam dinheiro de merenda escolar, material hospitalar, verbas para construção de casas populares. Me revolta saber que meus impostos pagam a USP! Desculpe polemizar e o desabafo. Não apareço mais aqui.

    • Humberto disse:

      “Altos salários dos professores da USP”…
      Pois é Alex, agora você mostrou realmente que está totalmente fora da realidade.

  16. Bruno disse:

    Alex, não discordo em nada do que vc postou, ao contrário, nossas opiniões coincidem precisamente. É que eu somente rebati alguns argumentos que me revoltaram um pouco, causando em mim um impulso irresistível de postar algumas coisas aqui…

  17. Felipe disse:

    Alex, Mauro e Bruno,

    Meu Deus! Que ginástica mental vocês precisam fazer para disfarçar seu recalque pela USP, seu reacionarismo e seu racismo… Que pena.

  18. Marcone disse:

    Gostaria de dizer que não concordo com a violência do policial, mas se um policial me aborda na rua querendo que eu mostre documentos eu e qualquer um mostraria , porque o estudante não mostrou logo ?, mas mostrou para uma equipe de TV de imediato.

  19. Cindy disse:

    Geez, that’s uneeaievlblb. Kudos and such.

  20. http://www./ disse:

    Montag, 27.02.2012Hallo Jürgen,wir löschen simfy Konten nur, wenn dies vom Nutzer gewünscht ist.Du kannst dich gerne an unseren Support wenden.Schreibe gerne eine Mail an Viele Grüße, Victoria

  21. bonjour Monsieur Langlois;merci tout d’abord pour votre clavier hebreu et bien que tout va a peu pres bien;il me reste un probleme que je n’arrive pas a résoudre:il s’agit de la lettre shine.j’ai beau faire maj+s ou bien les autres indications je n’obtiens jamais cette lettre.c’est mon seul point noir.merci d’avance

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