São Paulo e o seu peculiar calote civilizacional

São Paulo e o seu peculiar calote civilizacional

José Carlos Vaz

Fonte: http://vaz.blog.br/blog/?p=2649)

Ao longo dos séculos, as sociedades construíram um conjunto de hábitos, princípios e valores com a função de distinguir seus portadores (os civilizados) dos demais. Essas distinções serviram à justificação de desigualdades e opressões. As classes dominantes, a partir de sua adoção, deixavam clara sua superioridade sobre as demais. Os extratos inferiores da sociedade adotavam, na medida do possível, os mesmos hábitos, princípios e valores, e novas formas de distinção eram construídas para continuar garantindo a diferenciação (1).

George Grosz - O Agitador, 1928 (clique para saber mais)

George Grosz – O Agitador, 1928 (clique para saber mais)

A ideia subjacente a esse processo é a de que, na medida em que ele ocorria, os que se civilizavam distanciavam-se cada vez mais da barbárie e de um modo de vida baseado na livre expressão dos seus instintos e imerso na precariedade. Civilizar-se é afastar-se  das restrições impostas ao ser humano pela natureza, tanto físicas como mentais, e ser capaz de controlá-las. Civilizar-se é abandonar o mundo dos brutos, é deixar de agir como um animal.

Associado à expansão da ciência e de uma cultura material com maior amplitude de recursos e produtividade, esse processo justificava também a colonização, a desigualdade de riquezas e a escravidão. Por outro lado, sua reiteração  trouxe novos padrões para as sociedades que se “civilizavam”. Ser civilizado deixou de ser apenas uma atitude individual, e tornou-se um projeto para a própria sociedade sob a liderança dos Estados nacionais. Estes, por meio da educação pública, da legislação, da expansão dos direitos e das políticas públicas assumiram a tarefa de civilizar seu povo.

A civilização tem um preço, entretanto. Melhor dizendo, há vários preços a pagar para ser civilizado. O que me intriga é a enorme dificuldade que  São Paulo tem para pagar esses preços.

Para Freud, a existência da civilização depende da capacidade de controle dos impulsos.  Assim, o controle do impulso de satisfação imediata dos desejos, em suas múltiplas variantes, é necessário para que a civilização possa manter-se(2).  Aqui, vemos o primeiro preço que precisa ser pago pelos “civilizados”: a primazia do coletivo. Para muitos, ainda é uma descoberta a ser feita o fato de que o mundo não gira em torno de si próprios. Considerando que minhas ações impactam na vida do outro, devo tentar agir para, no mínimo, não prejudicar o outro desnecessariamente. A decorrência desse princípio é que os interesses de muitos não podem ser sacrificados pelos interesses de poucos.

Basta sair à rua em São Paulo para constatar que esse é um preço muito difícil de ser cobrado. Veja-se a repercussão negativa de medidas para beneficiar o transporte público, ou a retirada de espaço dos automóveis para devolução para usos socialmente mais equilibrados, como as faixas de ônibus ou as ciclofaixas e ciclovias. Entorpecidos e emburrecidos pelo automóvel, os “civilizados” de São Paulo não se importam que os ciclistas morram atropelados, desde que possam continuar estacionando seus automóveis na porta de casa. Veja-se, também, a resistência contra os limites máximos de velocidade nas vias, ainda que a consequente redução do número de acidentes  contribua para a redução da mortalidade e do tempo médio de deslocamento.

O segundo impulso que Freud afirma que necessita ser controlado para viabilizar a civilização é o  impulso da agressão, de onde concluímos que o segundo preço a pagar pela civilização é a renúncia à violência física como forma de solução de conflitos e disputas. Não sem motivo, essa foi uma transformação central que possibilitou a emergência dos Estados nacionais.  A conquista do monopólio da legitimação da violência  pelo Estado não foi desprovida de embates. Entretanto, o processo civilizatório deve trazer não só a concordância dos cidadãos com essa tese, como também que seja introjetada em cada um a repulsa à violência. Para o sujeito civilizado, a violência é repugnante e apenas o Estado pode ser responsável por ela, dentro de normas muito estritas, evitando-se ao máximo. Dentro dessa lógica, quem se vale da violência física são os bárbaros, os selvagens, os não-civilizados. Por exemplo, os ladrões, homicidas e outros criminosos que a ela recorrem. O que é digno de nota em São Paulo é a aceitação e aprovação silenciosa de fatos como o genocídio da juventude negra que ocorre na periferia da cidade, que teve seu ponto máximo nas chacinas de maio de 2006, quando 493 pessoas foram mortas em ações realizadas pela polícia, ou a ela atribuídas, em pouco mais de uma semana (3).

Mais recentemente, dois fatos mostram claramente a recusa a abdicar da violência e, portanto, a negativa de São Paulo a se tornar um lugar civilizado.  A indiferença cínica das autoridades e a aprovação (não tão silenciosa) do atentado terrorista à sede do Instituto Lula, em 30/07/2015 foi a primeira delas. A falta de pejo de gente comum em fazer comentários elogiosos ao atentado e a posição de figuras públicas fazendo troça do fato estão muito longe de serem mostras do que se costuma chamar de civilização. Na mesma época, aconteceram dois atentados a tiros contra imigrantes haitianos na região da Baixada do Glicério. Segundo relatos, não foram os primeiros ataques. Houve queixas quanto ao mau atendimento médico e à inação da polícia (4).

Atirar bombas em escritórios, inclusive sob risco de atingir pacientes do pronto-socorro em frente, ou dar tiros em imigrantes negros e pobres, ou mostrar-se indiferente a esses fatos,  mostra claramente que essa gente optou por não pagar  esse segundo preço  da civilização.

O terceiro preço a pagar pela civilização é a tolerância. Este preço deriva do entendimento da singularidade de cada indivíduo. Ninguém é obrigado a pensar como  penso, a sentir como sinto. Portanto, a diferença de  pontos de vista deve ser respeitada, ainda que não me agradem as opiniões de outrem. O que dizer, então, de um lugar onde as pessoas apanham na rua porque estão usando camisa vermelha, ou onde senhores idosos defensores dos Direitos Humanos são agredidos em livrarias?(5)

O quarto preço que a civilização cobra é  o cuidado com os mais fracos. Ao contrário de uma matilha de lobos selvagens, onde os membros doentes são um estorvo e precisam ser eliminados em nome da sobrevivência do grupo, entre humanos “civilizados” existe um imperativo moral de se cuidar daqueles mais fracos. No passado, a religião encarregou-se de introjetar esse valor e de organizar formas estruturadas de prestação de auxílio. Com o fortalecimento dos Estados nacionais, estes assumiram essa função, por meio de leis e políticas públicas. Institucionalizando o que antes era caridade e criando legislação para proteger os grupos mais vulneráveis, o Estado consolidou o princípio de que todos devem ter sua dignidade respeitada, inclusive em suas bases materiais.

Quando se vê o ódio explícito que a população de São Paulo nutre por iniciativas como o Bolsa Família, ou a resistência que coloca contra cotas raciais para as universidades, percebe-se que este preço também não se deseja pagá-lo. Talvez uma inconfessada revolta tenha contribuído para que as manifestações de descontentamento difuso que ocorreram em 2013 tenham se iniciado em São Paulo, logo depois da aprovação da lei de ampliação dos direitos das empregadas domésticas…(6)

Por fim, há mais um preço cobrado pela civilização:  os impostos. A manutenção da ordem sem recurso à violência privada para solucionar conflitos, a prevenção e combate à intolerância, as obras e serviços de interesse coletivo e a proteção dos grupos mais vulneráveis requerem que o Estado aproprie-se de recursos dos cidadãos para que possa agir em seu nome. A máquina pública custa dinheiro. Em São Paulo, pouca coisa é mais ofensiva que cobrar impostos, especialmente quando governos de esquerda resolvem fazê-lo. Os mesmos que reclamam da corrupção e da ineficácia das políticas e serviços públicos são os que criticam qualquer imposto ou taxa e subornam fiscais e policiais para escaparem de impostos e multas.

Mas São Paulo, mesmo não se dispondo a pagar os preços cobrados pela civilização, quer ser um lugar de gente “civilizada” e busca subterfúgios para o calote civilizacional que se autoaplica. Talvez sejam resquícios da vergonha como “regulador moral”(7): para Freud, a vergonha é um dos mecanismos essenciais para o controle dos impulsos que levam à barbárie, pois impede que certas coisas sejam ditas ou feitas.

Por isso, São Paulo indigna-se contra a violência praticada contra as pessoas de “bem”, brancas e da classe média, ainda que faça vistas grossas para a violência contra os pobres e os negros. Organiza uma enorme parada LGBT uma vez por ano, mas permite que nos demais dias as pessoas sejam espancadas em sua principal avenida, apenas por conta de sua orientação sexual. Orgulha-se de seu metrô, mas quer as estações longe de casa para não trazer uma “gente diferenciada” para perto de si.  Constrói um discurso de meritocracia, mas esconde que o mérito está reservado a poucos, cujas famílias podem dar aos filhos condições para aproveitar melhor as oportunidades de estudo e trabalho, em uma cínica meritocracia dos brancos.  Chega-se a dizer que se sonega em legítima defesa.

São Paulo é um lugar muito estranhamente “civilizado”, onde os preços da civilização são pagos com notas falsas e todo mundo faz de conta que são verdadeiras.  Como se tem visto, nem mais este consolo restará aos otimistas, pois a vergonha parece esvair-se em um florescente protofascismo que se apodera das pessoas. À medida que a vergonha vá sendo perdida, nem mais essas notas falsas circularão.

 

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Notas
(1)ELIAS, N. O processo civilizador: Uma história dos costumes. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed., 1994, v I. e  ELIAS,N. O processo civilizador:Formação do Estado e Civilização. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed., 1993, v. II.
(2) FREUD, S.  O   mal-estar   na   civilização,   novas   conferências   introdutórias   à psicanalise e outros textos (1930-1936). São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
(3) GONÇALVES, R. De antigas e novas loucas: Madres e Mães de Maio contra a violência de Estado. In:  Lutas Sociais, São Paulo, n.29, p.130-143, jul./dez. 2012.
(4) ZÚNICA, Lumi. Haitianos são feridos em dois atentados no centro de São Paulo. Disponível em http://ponte.org/haitianos-sao-feridos-em-dois-atentados-no-centro-de-sao-paulo/. Acessado em 10/08/2015.
(5) FERNANDES, C. O lamentável papel da Livraria Cultura na agressão a Suplicy. In: Diário do Centro do Mundo, 25/10/2015. Disponível em http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-lamentavel-papel-da-livraria-cultura-na-agressao-a-suplicy-por-carlos-fernandes/
(6) Esta sugestão foi recebida de Lucimara Lima.
(7) ARAÚJO, U. F. O sentimento de vergonha como um regulador moral. Tese de Doutorado, São Paulo, IP/USP, 1998.

A beleza não se reproduz em cativeiro

Veja entrevista com Martin Jayo, professor da EACH-USP, pesquisador do GETIP e do Observatório Interdisciplinar de Políticas Públicas e criador do blog Quando a Cidade Era Mais Gentil. dada ao site Amarello.

Nela, Martin Jayo reflete sobre a arquitetura e a beleza na cidade de São Paulo, e conclui: “a beleza é essencial, mas não se reproduz em cativeiro”…

Clique aqui para ler a integra da entrevista.

Entrevista com os integrantes do “O Crew”

Entrevistados: Leo, Vini e Vitor

DESURBANISMOS: Como vocês começaram, com graffiti ou pichação?

Começamos fazendo pixo ou tag, a maioria não começa diretamente no graffiti em si.

DESURBANISMOS: Existe um mercado de arte de rua? Como funciona?

Fazemos trabalho de maneira “comercial”, quando as pessoas nos contratam, e neste caso somos, de certa forma, obrigados a seguir o que as pessoas pedem. Como cada grafiteiro tem um estilo específico, às vezes temos que fugir do nosso próprio estilo para agradar o cliente, então em alguns casos indicamos outro grafiteiro que segue o estilo que a pessoa pede.

DESURBANISMOS: Dentro deste mercado, como vocês veem os grafiteiros que atingem uma certa fama?

Na cultura do graffiti está inserida a questão da ilegalidade, desde como ele surgiu, e recentemente vêm se inserindo em galerias etc. O conceito básico do graffiti é a rua, independente dele estar presente nas galerias ou não.
Mesmo os grafiteiros que vão expor seus trabalhos internacionalmente não perdem o respeito por seu trabalho, pelo contrário, mas o que acaba acontecendo muitas vezes é que eles perdem um pouco a essência que tinham antes, da questão das ruas. A questão da arte comercial está muito presente, as pessoas pensam muito em serem famosas antes de qualquer coisa, e isso acaba sendo negativo.

DESURBANISMOS: Como o artista de rua transforma a cidade?

Pra ser artista de rua, é necessário respeitar as outras pessoas que fazem outros trabalhos, seja pixação ou graffiti, tem que saber o que você está fazendo. Sempre é importante ter em mente que a partir do momento em que um trabalho é feito na rua, aquilo deixou de ser seu e passa a ser de todo mundo, todos que passam na rua têm uma reação do trabalho, encaram de uma forma diferente, comentam com pessoas de uma forma diferente. O graffiti baseia-se na forma com que as pessoas vão absorver aquilo para elas.

DESURBANISMOS: Quais são as diferenças e semelhanças entre a arte de rua na região central e na periferia?

Dependendo do lugar, as pessoas reparam mais no graffiti, percebendo até uma influência com a classe social das pessoas. Por exemplo, dificilmente a qualidade de um graffiti que está na Vila Madalena será encontrado em uma periferia, a não ser que aconteça um evento de encontro de grafiteiros. A população reage diferente a pixação e ao graffiti. Na periferia o graffiti é mais aceitável, pode-se dizer, pois reflete a carência de cultura do local, e mesmo carência te atenção dos moradores, então aquilo é mais bem visto. Além do que, para os grafiteiros entrevistados é mais satisfatório fazer este tipo de trabalho em uma periferia do que em uma grande avenida, justamente por isso.

DESURBANISMOS: O Governo intervém na arte de rua de uma forma positiva ou negativa? Como é essa intervenção?

Ao mesmo tempo que o Governo abarca, eles apoiam, querem sistematizar a arte. Por exemplo o que aconteceu com a Avenida 23 de Maio, em que houve o planejamento e contrataram os artistas que sempre pintam, até criou-se uma certa “rixa” com os outros artistas. Conhecemos os grafiteiros que estavam pintando, a polícia os parou e como penalidade tiveram que pagar em cestas básicas ou em serviços comunitários, mas com a gente isso nunca aconteceu.
É interessante que muitas vezes os policiais tem preconceito com o material que estamos utilizando, por exemplo se estamos portando sprays coloridos acabam sendo mais flexíveis do que se estivéssemos apenas com sprays pretos.

DESURBANISMOS: Qual é a reação das pessoas ao verem vocês grafitando?

Muitas vezes as pessoas não ligam para o graffiti, mas para o pixe sim, até mesmo pela forma como é feito, se vamos pintar a noite não seremos muito bem aceitos, até mesmo por conta que isso é considerado ilegal. A pixação é agressiva aos olhos de quem não entende. Ela está atrelada ao graffiti só que muito mais dissociada; o graffiti pode dizer por si só em um desenho apenas e a pixação pode transmitir uma mensagem escrita.

Entrevista com a pesquisadora de arte urbana Gláucia Pimentel

“Com olhar sobre as artes, percorri um trajeto tortuoso vivenciando muitas linguagens e riquezas culturais. Na graduação pela Sociologia e Política, o foco maior foram as culturas indígenas. Das tabas às grandes cidades, fiz graduação em Arquitetura por 3 anos, focando meus esforços no Patrimônio Histórico, onde Arquitetura, Urbanismo e Antropologia se misturavam à História. Depois abri uma livraria e, por vários anos, montava encontros de Jogos de RPG, de diretores de teatro, exposições de fotografia, e outros eventos. Quando tive de fechar a livraria, fui fazer Mestrado em Antropologia para estudar as “Tribos Urbanas do RPG”, mas a orientação falha me levou para a Teoria Literária na Pós da Letras, onde pesquisei o Tropicalismo de São Paulo com Os Mutantes, e a questão do Feminismo Contracultural com a Rita Lee como pretexto. Aproveitei para estudar também fotografia, performance, indumentária e claro: letras e arranjos de 20 canções da banda de 1967 à 1972. Fiquei dando aulas de Sociologia, Filosofia e História da Arte em Cursos de Artes, até que fiz o Doutorado com a obra do Roberto Piva, poeta de São Paulo que fala sobre erotismo, poder e a metrópole paulistana. E por fim, mais recentemente, já fazendo incursões pela fotografia e registros em vídeo, fiz o pós-doc sobre Arte de Rua na Eca, entrevistando muita gente envolvida nessa linguagem. Hoje em dia dou assessoria, cursos e palestras sobre Arte Brasileira, Arte de Rua, Movimentos Culturais e Questões Urbanas. Para conhecer mais das pesquisas, acesse o www.arspublica.com.br.”

DESURBANISMOS: Com quantos anos você começou a despertar interesse pela arte urbana? E quais foram suas motivações?

Desde criança palavras de ordem eram inscritas pelos muros, com queixas doloridas e corajosas contra a ditadura. Por mais que mantivessem as ruas limpa e controladas, sempre se via uma frase de protesto como um grito no escuro – assustado e corajoso.

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Anos 60 – Estudantes da UNE

 

Anos depois, a ditadura ainda perdurava, mas o gosto pela irreverência já tinha me mordido, lendo e vendo ‘coisas proibidas’ que me instigavam a construir um discurso crítico contrário a todo aquele aparato de controle que me cercava pelas ruas. A ditadura militar ainda mantinha as bocas caladas, mas a contracultura se imiscuía com o modernismo pra construir uma resistência disfarçada, que se chamou Tropicalismo.

Pelas ruas, coalhadas de militares truculentos, mal-encarados e, oficialmente matadores, só se ouviam ruídos de carros e dos fluxos do trabalho. A simples reunião numa esquina pra falar besteira depois da escola chamava a atenção ‘dosrato’  que já vinham rosnando: “Circulando! Circulando!”  nos empurravam. Mas começaram a surgir, no final dos anos setenta, umas frases soltas que me fazia rir entre surpresa e deliciada. Hoje sabemos que eram frases do Hudinilson Jr com o Beije-me Ah!Ao lado de uma boca carnuda e sensual.

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Anos 70 – Hudinilson Jr

 

Depois outras frases de fundo Anarco-Contracultural  que me encantavam, e eu comecei a registrar no meu diário as frase que encontrava pelos muros: “Dance, mas não dance!”,   “Emília – Vamos fugir para um sítio só nosso? Assinado: Visconde de Sabugosa” ,  “A minha liberdade adora a sua!”,  “Entre para a tribo dos que dançam na chuva!” / “Não compre jornais. Minta você mesmo!” .  E muitas outras.  Aquelas frases eram ariscas, arredias e ousadas, porque o risco de repressão, leia-se: porrada, porrada e porrada, era muito grande. Os milicos não desgrudavam das ruas e apareciam dos esgotos e de todos os buracos impensáveis no meio da cidade.

Já nos anos oitenta,  a repressão começou a relaxar, e as escrituras de rua começaram a ganhar desenhos e cores, pois o risco era menor, e a aceitação das pessoas era notória. Todos gostavam das piadas e das jogadas pelos muros e caminhos.

Anos 80 – Alex Vallauri

Anos 80 – Alex Vallauri

Anos 80 – Carlos Matuck

Anos 80 – Carlos Matuck

 

 

 

 

 

 

 

Nunca mais parei de observar nossos muros.

 DESURBANISMOS: Qual foi a melhor e pior experiência que você teve?

Em relação às Artes de Rua? A melhor experiência foi redescobrir a poesia e a palavra por entre os desenhos que, afinal, tomaram as ruas de assalto. Muita coisa boa, mas muita mediocridade dos desenhos, fazem o lado chato da experiência. Quanta mediocridade!  Quanto primarismo e o pior,  quanta cópia barata do hip-hop …!! Deixa as ruas mais burras, e eu prefiro a interferência da pichação ao mau desenhista e ao hip-hop bobão.

 DESURBANISMOS: Quais são suas referências acadêmicas?

Cito algumas fundamentais:

“O Poder do mito” de Joseph CAMPBELL,

“Culturas Híbridas” de Nértor Garcia CANCLINI,

“A cidade polifônica: ensaio sobre a antropologia da comunicação urbana” de Massimo CANEVACCI,

“The Faith of Graffiti” de Norman MAILER e Jon NAAR

“Graffiti Brasil” de Tristan MANCO, LOST ART e Caleb NEELON

“Estética Marginal” de Victor MARIYAMA

“Graffiti: una ciudad imaginada”, “Punto de vista ciudadano: focalización visual y puesta en escena del graffiti” e

“Imaginários Urbanos” de Armando SILVA

“Graffitis em múltiplas facetas: definições e leituras iconográficas” de William da SILVA-e-SILVA

 DESURBANISMOS: Quais são suas principais referências artísticas?

Minha formação é eclética. Mesmo! Da erudita às transgressivas. Em muitas linguagens, que se comunicam o formam um padrão ético-estético:

Música: Prokofief,  Schoemberg, Villa Lobos, Ernesto Nazare, Led Zepelin, Pearl Jam, Tom Zé e outros dodecafônicos sempre preferidos!

Literatura: Jorge Luis Borges, Álvaro de Campos, Shakespeare, Roberto Piva, Machado de Assis, Eurípedes,…

Artes Plásticas: Rupestres, Bruegel, Rembrandt, Iberê Camargo, Daniel Senise, Bispo do Rosário, Bruno Giorgi, Tunga, Joan Miró, Adriana Varejão,  Jean-Michel Basquiat, Athos Bulcão, Lygia Clark,  Jean Dubuffet e muitos outros.

Adoro Quadrinhos, Teatro, Cinema, Dança, Arte Digital e Fotografia…Cartier Bresson e Sebastião Salgado, claro! Mas tem muitos outros. No Brasil tem maravilhosos!

Gosto muito dos grafiteiros que lidam com referências culturais brasileiras. Meus preferidos são: Vitché,  Osgemeos, Nunca, Órion, Boleta …. de fora, amo o Banksy!

Vitché

Vitché

Óreon

Óreon

OsGemeos

OsGemeos

 

 

 

 

 

 

Não gosto da Nina… são poucas as mulheres no grafite, mas pra fazer boneca mimimi, dispenso! No caso do Zezão gosto do uso dos espaços renegados, mas acho bem fraco a repetição das formas. Miau e Chivitz fazem uma dupla bobinha, meros decoradores de portas comerciais e outros…

 DESURBANISMOS: Qual é a relação entre grafitti e a pichação?

Ambos são Expressões Urbanas de grupos desviantes, surgidas com o movimento Hip-Hop. O Grafite chegou a São Paulo no início dos anos 80, e depois se espalhou pelo país, confundindo e se misturando com as manifestações locais pré-existentes, mas com origem e linguagens oriundas das escolas de arte como a Unicamp, Eca e, principalmente, Faap. A vantagem do movimento Hip-Hop em São Paulo foi que a periferia, sempre abandonada e sem qualquer atendimento cultural ou esportivo, serviu como grande e benéfico instrumento de convívio e desenvolvimento de talentos. Foi assim que surgiram Osgesmeos e outros talentos verdadeiros que iniciaram com o grafite.

A pichação, embora tenha surgido nessa onda de levar a gurizada pra rua se expressar, acabou fomentando um jogo competitivo de grupos (rejeito o termo gangue nesse caso) que, embora com o mesmo espírito inicial do espírito Hip-Hop do Brooklin de N.York (Watch my name goes by) do início da década de 1970, acabou produzindo uma busca estética e ética ÚNICA NO MUNDO! Admirados e odiados, as CREWs desenvolvem famílias de letras originais e lindas, apenas que esfregadas nas áreas onde a Cidade não dera permissão. Decidem que irão apontar e recobrir todas as ruínas pela cidade. E elas são muitas! E se tornam inimigos da beleza. Passam a ser perseguidos, caçados e processados. Em S.P. o grafite é permitido mas a pichação é proibida por Lei! Absurdo.

A relação entre as duas linguagens é dúbia e sem regras. Tem quem ‘ascenda’ da pichação para o grafite, tem quem faça as duas ao mesmo tempo, tem quem critica uma ou outra. Tem quem diga que pichação é coisa de moleque vândalo sem talento, mas pichadores, muitos deles, consideram os grafiteiros mero desenhadores de bonequinhos, babacas, covardes e despolitizados.

A maioria da população odeia a pichação, mas artistas de todas as linguagens como atores de teatro, escultores e intelectuais das ciências sociais e humanas em geral e eu inclusive gostam muito do gesto ético dos que ousam se apossar de uma cidade que lhes é cruel, indiferente mas, por outro lado, lhes dá um gigantesco palco de experimentação inimaginável.

 DESURBANISMOS: Além do grafitti e da pichação quais são as outras formas de manifestação da arte de rua?

Gosto muito das outras formas de expressões públicas como o Estêncil, que já existia em SP desde os anos setenta, mas foi canonizado internacionalmente, por Banksy. E gosto muito das formas mistas, quando grafites e colagens se misturam. Os Lambe-lambes que criticam a cidade com humor e algumas sacanagens…. Tem outras formas, mas essas são mais legais.

 DESURBANISMOS: Qual é a ideologia por trás da arte de rua?

Existe uma transgressão por conta do enfrentamento  iminente aos comentários de rua, críticas  ou manifestações de aprovação, fora os distratos e perseguições oficiais. Se lançar nas ruas é o risco de se apoderar de um espaço que não lhe pertence, e onde tudo pode acontecer.  O desconhecido e o desejo de agradar, no caso dos grafitistas e de desafiar no caso dos pichadores, é geral. Mas a ideologia Hip-Hop é de inclusão através de uma crítica com mágoa contra a cidade/sociedade que não os recebe, não os reconhece, não os vê, não os aceita, não os ampara, pois de onde vêm,  não há museus, centros culturais onde podem se exercitar, se testarem, sem escolas onde possam trocar ideias, linguagens, problemas… e são todos jogados nas ruas, longe de famílias disfuncionais, instaladas em casas pequenas com pouco espaço de intimidade, e todos preferem ver o confronto misturado com carinho e proteção de estranhos que formam grupos ou apenas cúmplices de um ato proibido.

A ideologia é a capitalista, com todas as suas contradições: Como periféricos, seus espaços são demarcados para dormirem e, talvez, reunirem pessoas para fazerem festas regionais, onde proletários italianos aprendem e ensinar aos cearenses que vivem a mesma rua, ou o outro grupo de dançarinos breakers que aprender forró, ou a riscar parede para a festa…..  Mas uma lucidez projeta a condição pra fora de um regionalismo. Pode ser tradicional, mas é lucidamente crítico com apropriação estética., já que o Hip-Hop pretende ser aceito.

O Rap brasileiro se mantém fiel as críticas sociais que o engendrou, mas não as outras linguagens do Hip-Hop. As outras almejam a Indústria de Entretenimento. Serem famosos, ricos, conhecidos. Nada contra a sociedade, salvo ela ser fechada aos menos privilegiados ou mais prejudicados socialmente.

O Grafite é uma manifestação cabal da existência das Classes Sociais atuais. O Grafite delata, aponta o que a industria de entretenimento tenta minimizar ou esconder.

Não é uma ideologia de esquerda – pela primeira vez , desde todo a História dos Movimentos Culturais Juvenis. Os Hip-Hops,  em seus grafites, pichações, skates, breakers, rappers,  e MCs  só querem PERTENCER, e por isso criticam os aspectos em que são discriminados.

 DESURBANISMOS: Como você imagina que a sociedade vê a arte de rua ?

Pelas entrevistas que fiz nas ruas, durante mais de quatro meses, pude perceber que a grande maioria dos transeuntes e passantes, aprovam o grafite, principalmente quando o percebem colorido, seja ele figurativo ou abstrato.  O motivo que mais os tornam  tão aceitos, diz respeito à rejeição da aparência da cidade que tem fama de “cinzenta’, e os grafites funcionam  como antídotos a essa espécie de doença de pele que recobre a cidade, tornando-a triste, sem graça e monótona. Por isso o grafite é tão aceito e aprovado.

E já sabem que vários dos grafiteiros que se repetem pelas ruas e já são identificáveis,  começam a serem aceitos no mercado de artes nacional e internacional.  Mas também odeiam os pichadores e pressionam legisladores para que punirem pichadores que são confundidos com gangues de rua, sem notar que, de fato seus grupos disputam, mas não pó espaço, e sim por qualidade.

 DESURBANISMOS: Como o grafiteiro transforma a cidade? E o pichador?

Ambos se apropriam da cidade – um organismo monstruoso e administrado por fatias, de acordo com segmentos de poder, onde os grupos marginais e periféricos não participam.

As duas manifestações dialogam com seus moradores. O primeiro grupo visa o mercado, e pretende produzir trabalhos que lhe faça viver disso, tornando-o um embelezador de portas comerciais ou outros cômodos de casas da classe média.

O segundo grupo aponta tragicamente os locais degradados da cidade,  pintando suas ruínas, gritando aos olhos das autoridades e seus habitantes, o cujo social do abandono desses esqueletos  deixados pela cidade, ocupados por crackeiros, mendigos, sem qualquer finalidade social saudável ou necessária. Os pichadores dialogam com a administração pública da cidade, brigando com suas políticas públicas e acusando suas administrações.

 DESURBANISMOS: Que sentimentos a cidade gera no artista?

As generalizações são sempre empobrecedoras. A Cidade é um grande pano de fundo onde suas necessidades são rebatidas. Cada grupo, cada indivíduo, manifesta sua forma de expressão ético-estético, por isso são artísticos e não técnicos.

 DESURBANISMOS: Existe um mercado de arte de rua? Como funciona?

Cada vez mais abrem novas galerias especializadas em artes de rua, sendo a primeira a Choque Cultural, mas atualmente, são mais de 17 só na cidade de S.Paulo, e as galerias tradicionais, já aceitam trabalhos em forma de quadros ou painéis, para comercialização como linguagem específica: Arte de Rua. Já há público para ver, debater, comprar e colecionar.  Quanto aos museus, cada vez mais, incorporam um ou outro artista de rua como o Kboco no Mam, o Nunca e Osgemeos na Tate Gallery de Londres, etc. Cravando sobre eles, o “Aval de aceitação de Arte Verdadeira”.

 DESURBANISMOS: Qual é a relação da arte de rua e a cultura hip-hop?

Tem muita expressão Hip-Hop na rua ainda, mas a marca do grafite brasileiro, reconhecido internacionalmente, é a percepção de obras ligadas às temas nacionais, que impressiona pela originalidade e qualidade, mesmo quando soa anônimos.

Nunca

Nunca

Nem

Nem

Highraff

Highraff

 

 

 

 

DESURBANISMOS: Quais são as diferenças e semelhanças entre a arte de rua na região central e na periferia?

Não vejo diferença nas obras, mas nos suportes: a qualidade dos muros, paredes, condições das edificações – se estão em lugares com valores canônicos ou históricos, se são edifícios abandonados….. e essa condição pode acontecer em qualquer lugar.

 DESURBANISMOS: O Governo intervém na arte de rua de uma forma positiva ou negativa? Como é essa intervenção?

Estão se tornando relações cada vez mais institucionalizadas, pois assim se tem mais controle sobre os tipos de interferências nos prédios. No começo havia perseguições e aprisionamentos, depois veio a  política da Cidade Limpa com o Kassab, que apagava com tinta cinza o que seus funcionários achavam feio. E pra eles, tudo era feio se não se parecesse com arte convencional, a chamada Acadêmica. Depois os grafiteiros começaram a ter projeção internacional e as permissões dos painéis acabou produzindo uma profissão de grafiteiro profissional como vários deles, como o Binho Ribeiro, o Paulo Ito, etc, que vivem de fazer painéis para a Prefeitura e outros comerciantes. Por outro lado,  com a possibilidade de conseguirem vender seus trabalhos, os grafiteiros estão cada vez mais dóceis, e os pichadores com menos espaços, mas ainda na ativa.

Binho Ribeiro encabeçando grupo –Pça Kobayashi no centro

Binho Ribeiro encabeçando grupo –Pça Kobayashi no centro

 

 

     Rui Amaral na Av. Paulista

Rui Amaral na Av. Paulista

 

 

 

DESURBANISMOS: Qual é a visão do ponto de vista da arte urbana sobre as políticas públicas?

O que se vê atualmente, com a entrada dos interesses dos mercados, as coisas têm ficado mais calmas: as galerias já buscam nas ruas talentos para engrossarem seus quadros, aproveitando que são, ainda, de baixo valor comparado ao mercado internacional.  No mais, a Prefeitura segue encomendando painéis para ‘embelezarem’ áreas decadentes, para evitar a ocupação dos pichadores que, com suas intervenções, dão ênfase às mazelas do poder público na cidade.  Mas como dizem os gêmeos, “painel encomendado não é grafite – só um painel pintado por profissionais dos pinceis”.  Para eles, e eu concordo, o grafite possui um viés político de ocupação  dos espaços que passaram a serem considerados apenas fluxos à produção, e não mais pertencentes a seus habitantes.  O que se vê portanto é uma certa domesticação do grafite por um lado, e uma tendência de humanização de certas partes da cidade com os pallets de conversa, que instauram micro-praças ao longo das vias. Mas áreas de lazer na periferia da cidade, como quadras de futebol, de basquete noturno, rampas de skates,  praças públicas , bibliotecas com  salas de leitura, nada. A periferia continua não oferecendo nenhum tipo de ocupação para os jovens que, ao contrários dos jovens das classes médias que possuem TVs em seus quadros e mais um monte de aparato eletrônico para sua ocupação – retirando-os das ruas, os jovens da periferia buscam nas ruas suas parcerias e estímulos inter-relacionais, mas não encontram nada, e as disputas por espaços de expressão continuam noite adentro, entre grafites e pichações, sempre muito mais rápidas e ágeis para fugidas  repentinas.

 DESURBANISMOS: A arte de rua tem poder de influencia sobre as políticas públicas?

A Arte de Rua já influenciou as políticas públicas. Já viram o documentário Cidade Cinza? Então, lá o Kassab aparece para se desculpar e reconhecer o grafite como uma contribuição ao bem estar dos habitantes de cidades feias, sujas, mal-cuidadas como São Paulo, reconhecendo sua utilidade e propondo a proteção dos painéis (depois de ter causado polêmica pela ‘caça aos grafites’, cobrindo tudo de cinza). Com o Haddad agora, desencanei um pouco e não venho acompanhando, mas acho que ele não é repressor como o Kassab. Será?

O que mais assusta os paulistanos: Hugo Chávez ou um rosto negro?

O que mais assusta os paulistanos: Hugo Chávez ou um rosto negro?

(José Carlos Vaz)

Martin Jayo e André Fontan Kohler, professores de Gestão de Políticas Públicas na EACH-USP, publicaram artigo sobre os grafites nos Arcos do Bexiga, entre a Rua Jandaia e Rua da Assembléia, polemizando com o professor da FAU-USP Carlos A. C. Lemos (veja links abaixo).

É uma polêmica que nos faz pensar sobre o momento de disputa de projeto que São Paulo vive.

O debate se dá em torno da convêniência da realização dos grafites nos vãos entre os arcos, originalmente construídos como uma estrutura a funcionar como muro de arrimo para suportar o desnível entre duas ruas.  A prefeitura de São Paulo, em um movimento de valorização do grafite e da arte de rua, promoveu a realização de várias obras nos vãos entre os arcos.

As críticas à intervenção, apresentadas de maneira fundamentada e elegante pelo professor Carlos A. C. Lemos, tem duas dimensões. Em primeiro lugar, apontam a impropriedade da realização da própria intervenção, defendendo que a manutenção do monumento como estava, pintado em cores discretas em gestões anteriores da prefeitura, era uma maneira satisfatória de conservar e apresentar a estrutura. Nesse sentido, corresponde a uma visão de conservação do patrimônio baseada na sua apartação da vida real da cidade, que elege uma versão aceitável de uma obra do passado,  mantida aparentemente intocada, oferecendo-se uma fruição passiva e desconectada da evolução da cidade.  O artigo dos professores Martin Jayo e André Fontan Kohler rebate esses argumentos, mostrando a inadequação dessa postura como visão do patrimônio e demonstrando que intervenções em governos anteriores já poderiam receber as mesmas acusações, mas foram poupadas, assim como foi ignorada e poupada pelas críticas a intervenção semelhante no edifício da Pinacoteca, promovida pelo governo estadual.

A segunda dimensão da crítica diz respeito ao próprio conteúdo das obras realizadas nos vãos dos arcos. Aí, proliferam os adjetivos desqualificadores: “delirante”, “pretenso”, “travestido”, “insanidade”. Em outros lugares, outros críticos usam expressões como “aberrações”. Essa vertente da crítica quer separar o grafite bonito do grafite feio; o grafite que merece ser exposto na Tate Modern e o grafite que deve ser apagado; o grafite que merece ser visto pelos ordeiros paulistanos e o grafite que causa a “repulsa de muitos”. É claro que há, aí, todo um debate estético a ser feito, e que já se repetiu: nas artes pĺásticas, abundam casos de expressões inicialmente tomadas como de má qualidade, grotescas e repulsivas que depois viram-se convertidas em novos cânones. Dizer qual é a arte boa e qual é a arte ruim é sempre um exercício de poder.

Nem todos os críticos têm a lucidez e boa-fé do professor Carlos A. C. Lemos. Na Folha de São Paulo, sempre pronta a combater qualquer coisa que vagamente lembre redução das desigualdades econômicas e sociais, viu-se em uma das obras uma imagem assustadora de Hugo Chávez. A pobre imagem, descrita pelo professor como “imensa cabeçorra ali exposta de pretenso negro, pintado por um jovem travestido de antropólogo” foi tomada, não por ele, mas pelos paranóicos tão abundantes nesta cidade, como dirigismo da prefeitura para fazer propaganda comunista, o que justificou o vandalismo contra a dita obra. (Ah! A arte sempre faz os fascistas saírem de seus casulos…)

O apoio de muitos ao ataque às obras nos Arcos do Bexiga diz muito das disputas que São Paulo vivencia.

É preciso entender que a produção e a fruição do grafite não pode ser tratada unicamente pelo prisma da estética oficial,  estabelecida pelos formuladores do cânone artístico dominante (e, em última análise, ditado pelo mercado em sua posição de poder). A produção e fruição do grafite não é uma experiência estética realizada a portas fechadas por e para iniciados. O  grafite é, antes de mais nada, um fenômeno social que não pode ser tratado separadamente do fenômeno urbano. O grafite faz parte da cidade e traz consigo as contradições urbanas e a disputa pela apropriação do espaço urbano.

Nesse sentido, ao ser polêmico, o grafite cumpre um papel revelador, porque evidencia as disputas entre diferentes projetos de cidade e também dá luz à tensão entre a regulação da cidade oficial das elites, e as aspirações, inquietudes e revoltas daqueles  que vêem nesta cidade as marcas de um desurbanismo excludente e segregador.

O grafite surge como contestação e crítica à cidade cinza dos automóveis e dos desprezados motoboys mortos como moscas; como desafio à cidade que substituiu as empenas cegas por edifícios feitos à base de uma migalhenta desarquitetura, com suas dezenas de janelinhas ou suas placas de vidro sem expressão para lhe deixar a feiúra mais atualizada. As práticas da comunidade do grafite têm, ao menos em sua origem, um componente de esponteneidade e autoregulação. Querer fazer o grafite “oficial” ou “autorizado” em seu conteúdo é ir contra essa origem e esses princípios. É transformar o grafite em um desfile de escolas de samba, capturado e pasteurizado pelo gosto oficial, definido por quem tem poder econômico ou simbólico para definir qual seja esse gosto oficial. Desse jeito, daqui a pouco estarão dizendo que só serão autorizados grafites que mostrem a pujança e o espírito bandeirante de São Paulo. Teremos uma cidade de Borbas Gato em todos os muros, para mostrar ao mundo nossa miséria civilizatória.

Quando fala de “insanidade reinante entre nós”, evidenciada na imagem do “pretenso negro”, talvez o professor Carlos A. C. Lemos mire no que vê e acerte no que não vê: de fato, este debate evidencia a insanidade reinante na cidade de São Paulo. Consonante com sua posição de metrópole internacional do terceiro mundo (como dizia Milton Santos), São Paulo acostumou-se a uma posição subordinada, expressão de um país sem direito à real soberania. Para quem está acostumado a obedecer, é preciso que sempre se diga o que é certo e o que é errado, o que é bonito e o que é feio. Para quem obedece pensando que está mandando, é preciso ter a ilusão de que se controla tudo e se mantém os indesejáveis em seu devido lugar.

Enquanto isso, a produção da segregação sócio-espacial segue voraz, devorando sociabilidades e esperanças. Fechados em seus condomínios-senzala, os ordeiros cidadãos seguem no voraz ritmo da marcha da insensatez paulistana, combatendo qualquer tentativa de humanização, de promoção da igualdade e de ação emancipatória na cidade.

O que esperar de uma cidade tão insana? O que esperar de uma cidade onde causa revolta priorizar o transporte público e por bicicleta? O que mais poderia produzir uma gente que é contra o tratamento humanizado dado pela prefeitura aos viciados em crack? Não parece de, fato, haver muito o que esperar de uma cidade que nem mais água tem, mas que reelege em primeiro turno os responsáveis por isso…

Clique aqui para ler o artigo A batalha dos Arcos do Bixiga – Mais arte e mais cidade, mas menos arte na cidade!, de Martin Jayo e André Fontan Kohler
Clique aqui para ler o artigo Os arcos do Jânio, de Carlos A. C. Lemos

I Encontro de Grafitti e Bomb Jd. Keralux

 

 

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No dia 1o de março de 2015 , mês em que se comemora a cultura hip-hop, os grafiteiros e bombers do bairro Jd. Keralux com a presença de coletivos de diversos bairros da Zona Leste, realizaram uma intervenção artística nos muros da linha 12 – Coral da CPTM.  A iniciativa surgiu entre um grupo de jovens moradores que buscaram trazer arte, cultura e lazer para a comunidade.  A mobilização envolveu moradores e o comércio local que doaram alguns doa materiais necessários para tornar possível a intervenção. O evento contou com atividades para as crianças, B-boys e shows ao vivo.

Confira as fotos do evento:

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Cidade Cinza

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A batalha das cores  contra o predominante cinza na cidade de São Paulo é a temática do documentário de Marcelo Mesquita e Guilherme Valiengo “Cidade Cinza” filmado durante 7 anos até ser lançado em 2013. No cenário emblemático da Avenida 23 de maio e seu gigantesco painel de 700 metros apagado pela Prefeitura em apenas uma noite é repintado no decorrer do filme por algumas das principais personalidades do grafite brasileiro Os Gêmeos (Otávio e Gustavo), Nina, Zefix, Finok, Ise e Nunca que protagonizam a reflexão sobre a dinâmica do grafite em São Paulo. Em paralelo são registrados os procedimentos de perseguição ao grafite.

A rotina dos “perseguidores” mostra a ingenuidade e submissão dos funcionários que apagam a arte dos muros,  mostrando a falta de critério da Prefeitura em apagar as imagens como parte do conjunto de ações da “Lei Cidade Limpa”.  Enquanto isso, a arte de rua passou a fazer parte da cultura paulistana o que resultou em forte pressão popular contra o procedimento da Prefeitura, principalmente, no episódio do  “apagão” da 23 de maio que foi considerado em “equivoco” pelo então prefeito Gilberto Kassab.

O filme apresenta de forma critica e descontraída contradições urbanas e o papel da arte na terra da garoa, cinza por natureza. A apresentação da perseguição à arte de rua que se mostrou extremamente eficiente enquanto outras questões continuavam apresentando carências básicas durante um processo de reconhecimento dos artistas pela sua cidade.

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Links relacionados:

http://followthecolours.com.br/just-coolt/filme-cidade-cinza/

 

 

 

Vale a pena adotar o pedágio urbano em São Paulo?

 Vale a pena adotar o pedágio urbano em São Paulo?

José Carlos Vaz

Quando se fala de mobilidade urbana, São Paulo, por suas dimensões, deve ser comparada às megacidades mundiais. E perde na comparação com a maioria delas, tanto do primeiro quanto do terceiro mundo.

A soma da política de privilegiar o automóvel acima de qualquer outra forma de deslocamento à insuficiência de investimentos e atenção do poder público para o sistema de transporte coletivo da cidade criou uma cidade totalmente entregue ao automóvel e, por isso mesmo, congestionada e incapaz de oferecer condições dignas de deslocamento para seus cidadãos. Na verdade, a cidade não explora todas as possibilidades: muitos cidadãos veêm-se praticamente obrigados a utilizar o automóvel ou a motocicleta, enquanto há modos de transporte subutilizados (como o modo ferroviário/metroviário e o cicloviário) e modos que sequer são adotados, apesar de viáveis, como o transporte aquaviário e o transporte por bondes.

A inépcia dos governantes lançou São Paulo em um círculo vicioso: como não há transporte público adequado, mais gente utiliza o automóvel. Com isso o trânsito piora e prejudica o transporte público. Como consequência, mais gente vai utilizar o automóvel ou a moto para fugir do transporte público. A cidade vai ficando entupida de automóveis. Todos perdem, mas são os mais pobres que pagam o maior preço com pedaços de seu seu tempo e, portanto, desperdiçando parte de sua vida.

A adoção do pedágio urbano como instrumento de restrição veicular é um dos dispositivos que podem ser utilizados para reduzir a circulação de automóveis em áreas críticas.

Seu funcionamento é simples: institui-se a cobrança de um valor aos veículos automotores que trafegarem nas vias de uma determinada área na qual se deseja restringir o tráfego (normalmente o centro urbano). A cobrança funciona como um desestímulo à circulação dos veículos sujeitos a ela.

Trata-se, portanto, de um instrumento de restrição veicular, como são a proibição de circulação em vias destinadas aos pedestres ou ao transporte coletivo, ou o rodízio de veículos. A sua peculiaridade é que não apresenta uma restrição total (física ou legal) à circulação dos veículos, mas condiciona esta ao pagamento de um valor necessariamente proibitivo, mas que não impeça os deslocamentos inevitáveis por transporte automotor privado.

Benefícios do pedágio urbano

Os benefícios esperados da adoção desse mecanismo são basicamente a redução de congestionamentos e da poluição, em virtude da redução do número de veículos motorizados circulando. Além desses benefícios diretos, um benefício indireto a se esperar é a redução dos custos sociais dos congestionamentos, que podem atingir vários bilhões de reais por ano, em uma cidade como São Paulo.

Trata-se de um impacto desejado, porém difícil de apresentar ao debate público. Isto porque o custo social é muito abstrato, distante do cidadão comum. Do ponto de vista do discurso, seria difícil sustentar uma defesa do pedágio urbano com base no argumento da redução desses custos, seria melhor tratar isso como benefício indireto.

Por ser uma cobrança que deve funcionar como sanção e desestímulo, não pode ser baseada em algo como planilhas de custos de referência. No caso da adoção do pedágio urbano, o valor deveria ser calculado não com base em um critério objetivo relacionado a custos ou impactos, mas para ser um valor que efetivamente inibisse o uso do automóvel.

Alternativas

O pedágio urbano pode ser implantado com alternativas. Pode haver o pagamento por viagem, ou o pagamento de uma taxa periódica de autorização do tráfego na área restrita.

Pode-se oferecer uma espécie de “franquia”: o veículo pode fazer um certo número de viagens à área de restrição sem pagar nada. Ou veículos que transportem mais de um passageiro podem ser declarados isentos. Essa política já é adotada em algumas cidades para o uso de faixas expressas em certas vias mais congestionadas.

Também pode ser importante oferecer estacionamento barato nos limites da zona pedagiada, permitindo que os passageiros deixem o automóvel e usem o transporte público em regime de integração física e tarifária. Com isso, minimiza-se o problema dos usuários que vão até o centro usando automóvel por que tem dificuldades no acesso ao transporte público no primeiro trecho da viagem (por exemplo, para pegar ônibus até o metrô ou corredor).

A implantação em São Paulo é viável?

A adoção desse mecanismo supõe a existência de uma oferta de transporte público capaz de suportar as viagens por transporte individual que venham a ser eliminadas.

No caso de São Paulo, há duas dificuldades para a adoção de pedágio urbano para restrição veicular. A primeira diz respeito ao impacto direto nos serviços de transporte público. Geraria uma demanda grande por metrô, pois boa parte dos usuários de automóvel não migraria para o ônibus, dando preferência ao metrô, tanto pelas características intrínsecas do serviço, como porque para o usuário de automóvel da classe média o ônibus tornou-se um transporte “de pobre”.

Esse é um desafio cultural para pensar o transporte urbano em SP: a noção de que apenas o metrô é aceitável para a classe média motorizada. Além disso, as iniciativas de expansão do metrô demandam vários anos até que se tornem disponíveis para os usuários, e São Paulo está longe de ser uma cidade cuja expansão do metrô acontece a passos rápidos…

A segunda dificuldade é de ordem política. Um governo do PT poderia fazer o que fizesse, e não escaparia de ser terrivelmente bombardeado se implantasse um pedágio urbano. A imprensa e os setores conservadores não perdoariam e submeteriam o governo a uma carnificina. Um governo da direita talvez tivesse um tratamento menos violento, mas enfrentaria resistências também fortes. Logicamente, um enorme esforço de comunicação deveria ser feito. Entretanto, as barreiras mentais são de tal ordem, tão arraigadas nas pessoas, que seria necessário oferecer algum tipo de benefício para atraí-las, como alguma vantagem que mexesse favoravelmente no bolso de quem não usasse o automóvel. Ou teria que ser implantada uma melhoria muito significativa do transporte público, em termo muito curto.

A implantação de pedágio urbano deve ser precedida de melhorias do transporte público.

Seria difícil convencer as pessoas viciadas em automóvel a piorarem o conforto de suas viagens, usando o transporte público, com a promessa de que será melhorado depois, com a arrecadação do pedágio urbano. Este deve ser usado para inibir viagens por transporte individual que possam ser consideradas substituíveis pelo transporte público pelos próprios passageiros, e não como fonte única de financiamento para investimentos para viabilizar o abandono do uso do automóvel.

Em São Paulo, o mercado já adotou uma forma privatizada de pedágio urbano: o estacionamento a preços muito elevados. Algumas viagens justificam o uso de táxi em lugar de se pagar estacionamento. A desvantagem dessa situação é que os recursos arrecadados não se convertem em recursos para melhorar o transporte público.

Não confunda pedágio urbano com pedágio em área urbana

Por fim é importante salientar que existe hoje no estado de SP uma discussão sobre os chamados “pedágios urbanos” que é diferente desta. Trata-se dos pedágios em trechos urbanos de rodovias. Na cidade de SP já existem duas experiências: na Rodovia dos Imigrantes, na entrada de Diadema, e na pista expressa da Rodovia Castelo Branco, para quem vai a Alphaville. Não se pode chamar isso de pedágio urbano na acepção usada aqui. Tratam-se de vias pedagiadas em área urbana, o que é diferente. Esses pedágios não se destinam à restrição veicular, e sim a gerar receita para as empresas concessionárias das rodovias.

Circuitos Desurbanísticos Paulistanos

O projeto objetiva promover a reflexão pública sobre a gestão do espaço urbano da cidade de São Paulo. Pretende fazer com que cidadãos de São Paulo possam ter contato com reflexões sobre a gestão dos espaços urbanos e construir suas próprias reflexões.

Para isso, o projeto deverá registrar situações críticas da gestão do espaço urbano da cidade, assim como possibilidades de superação dos desafios apontados, combinando estudos de campo com visitas aos circuitos e pesquisa e debate junto a atores-chave da gestão urbana.

Clique aqui para saber mais sobre o projeto.

Sugestões bibliográficas

CASTILHO, R; FREDERICO, S. Espaço geográfico, produção e movimento: uma reflexão sobre o conceito de circuito espacial produtivo. Uberlândia: Sociedade e natureza, 2010. p. 461-474. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/sn/v22n3/04.pdf>

FIGUEIREDO, L. Desurbanismo: um manual rápido de destruição de cidades. Rio de Janeiro, 2010. Disponível em: <http://www.anparq.org.br/dvd-enanparq/simposios/163/163-305-1-SP.pdf>

MATIAS, I. A. A. Projeto, utopia e revolução: introdução ao debate entre “urbanistas” e “desurbanistas” soviéticos. Santa Catarina, 2010. Disponível em: <http://lastro.ufsc.br/?page_id=1910 >

PINHEIRO, E. P. O desenho da cidade: formas urbanas modernas e seus reflexos no Brasil – 1920-1960. Disponível em: <http://www.portalseer.ufba.br/index.php/ppgau/article/viewFile/2640/1862>

https://pt.scribd.com/doc/227215672/Urbanidades-Libre