3 set
2010

O significado da eleição (2) – A dissolução ideológica do PSDB

1989: Covas, Lula e Brizola juntos no segundo turno (Foto: Chico Ferreira/Folha Imagem).

Há algum tempo,  escrevi aqui sobre minha tristeza em ver a nova UDN em que se vai transformando o PSDB.  Na ocasião, referia-me à lamentável situação de  ver antigos defensores da democracia e dos movimentos sociais promovendo a repressão aos moradores do Jardim Romano, agredidos pelos governantes que encheram suas casas de esgoto.

O artigo abaixo, do professor Vladimir Safatle, mostra que aquele não foi um fato isolado. Na verdade, o que acontece om o PSDB é uma dissolução ideológica. O partido não conseguiu manter-se fiel às idéias de centro-esquerda que originaram sua criação. Foi incapaz de construir uma base social com vínculos com os movimentos sociais e setores mais progressistas da sociedade. Restou-lhe o triste papel de representante dos setores mais conservadores. Para sobreviver, essa neo-UDN assume o discurso e as práticas dos golpistas que combatiam. Sem uma proposta de modelo de desenvolvimento nacional,  sobrou-lhe o discurso da classe média reacionária, temerosa de perder as migalhas que trata como privilégios.

O colapso do PSDB

Vladimir Safatle (publicado na Folha de S. Paulo)

O caráter errático da campanha é o último capítulo da dissolução ideológica do partido

Há algo de melancólico na trajetória do PSDB. Talvez aqueles que, como eu, votaram no partido em seu início, lembrem do momento em que a então deputada conservadora Sandra Cavalcanti teve seu pedido de filiação negado. Motivo: divergência ideológica.
De fato, o PSDB nasceu, entre outras coisas, de uma tentativa de clarificação ideológica de uma parcela de históricos do MDB mais afeitos às temáticas da socialdemocracia européia.
Basta lembrarmos dos votos e discussões de um de seus líderes, Mario Covas, na constituinte. Boa parte deles iam na direção do fortalecimento dos sindicatos e da capacidade gerencial do Estado. Uma perspectiva contra a qual seu próprio partido voltou-se anos depois.
A história do PSDB parece ser a história do paulatino distanciamento desse impulso inicial. Ao chegarem ao poder federal, os partidos socialdemocratas que lhe serviram de modelo (como os trabalhistas ingleses e o SPD alemão) haviam começado um processo irreversível de desmonte das conquistas sociais que eles mesmos realizaram décadas atrás. Um desmonte que foi acompanhado pela absorção de suas agendas políticas por temáticas vindas da direita, como a segurança, a imigração, a diminuição da capacidade de intervenção do estado, entre outros.
Este movimento foi reproduzido pelo governo de Fernando Henrique Cardoso.
Assim, víamos uma geração de políticos que citavam, de dia, Marx, Gramsci, Celso Furtado e, à noite, procuravam levar a cabo o “desmonte do estado getulista”, “a quebra da sanha corporativa dos sindicatos”, ou “a defesa do Estado de direito contra os terroristas do MST”.
O resultado não foi muito diferente do que ocorreu com os partidos socialdemocratas europeus. Fracassos eleitorais se avolumaram, resultantes, principalmente, de uma esquizofrenia que os faziam ir cada vez mais à direita e, vez por outra, sentir nostalgia de traços ainda não totalmente extirpados de discursos classicamente socialdemocratas. No caso alemão, o SPD acabou prensado entre uma direita clara (CDU, FDP) e uma esquerda renovada (Die Linke).
No caso brasileiro, esta eleição demonstra tal lógica elevada ao paroxismo. Assistimos agora ao candidato do PSDB ensaiar, cada vez mais, um figurino de Carlos Lacerda bandeirante; com seu discurso pautado pela denúncia do aumento galopante da insegurança, do narcotráfico, do angelismo do governo com o terrorismo internacional das Farcs e, agora, o risco surreal de “chavismo” contra nossa democracia. Um figurino que não deixa de dar lugar, vez por outra, a uma defesa de que é de esquerda, de que recebeu palavras carinhosas de Leonel Brizola, de que vê em Lula alguém “acima do bem e do mal” etc.
Nesse sentido, o caráter errático de sua campanha não é apenas um traço de seu caráter ou um problema de cálculo de marketing.
Trata-se do capítulo final da dissolução ideológica de uma sigla que só teria alguma chance se tivesse ensaiado algo que o PS francês tenta hoje: reorientação programática a partir de um discurso mais voltado à esquerda e (algo que nunca um tucano terá a coragem de fazer) autocrítica em relação a erros do passado.


VLADIMIR SAFATLE é professor no departamento de filosofia da USP

2 set
2010

Os significados da eleição (1) – A ruptura histórica

Nas próximas semanas, pretendo publicar aqui algumas reflexões, minhas ou de terceiros, sobre o significado das eleições deste ano.

Para começar, transcrevo  texto do teólogo, filósofo e escritor Leonardo Boff, sobre o significado das eleições de 2010. O autor aponta a “ruptura histórica” operada pelo governo do PT sob a direção do presidente Lula. Demonstra a importância dessa ruptura em termos de mudança qualitativa nas condições de vida de milhões de pessoas e na afirmação do Brasil como um país respeitado e orientado para seu progresso e bem-estar do seu povo.

O que mais gostei foi lembrar que esse movimento também é uma ruptura nas relações de dominação e exclusão social operadas no país não somente no campo econômico: também está em disputa a possibilidade de superarmos uma concepção de sociedade que exclui com base no preconceito, na falta de acesso à cultura e à informação, uma sociedade onde existem a “gente bonita” e “a gente feia”; “nós” e “aquela gente”; os “educados” e os “ignorantes”. O governo de “um filho da pobreza” significou também a afirmação da capacidade das pessoas humildes, junto com todas as outras, de decidirem o futuro do país.

O texto foi publicado originalmente no site da ADITAL.

Consolidar a ruptura histórica operada pelo PT

Leonardo Boff (para o site Adital)

Para mim o significado maior desta eleição é consolidar a ruptura que Lula e o PT instauraram na história política brasileira. Derrotaram as elites econômico-financeiras e seu braço ideológico, a grande imprensa comercial. Notoriamente, elas sempre mantiveram o povo à margem da cidadania, feito, na dura linguagem de nosso maior historiador mulato, Capistrano de Abreu, “capado e recapado, sangrado e ressangrado”. Elas estiveram montadas no poder por quase 500 anos. Organizaram o Estado de tal forma que seus privilégios ficassem sempre salvaguradados. Por isso, segundo dados do Banco Mundial, são aquelas que, proporcionalmente, mais acumulam no mundo e se contam, política e socialmente, entre as mais atrasadas e insensíveis. São vinte mil famílias que, mais ou menos, controlam 46% de toda a riqueza nacional, sendo que 1% delas possui 44% de todas as terras. Não admira que estejamos entre os países mais desiguais do mundo, o que equivale dizer, um dos mais injustos e perversos do planeta. Até a vitória de um filho da pobreza, Lula, a casa grande e a senzala constituíam os gonzos que sustentavam o mundo social das elites. A casa grande não permitia que a senzala descobrisse que a riqueza das elites fora construída com seu trabalho superexplorado, com seu sangue e suas vidas, feitas carvão no processo produtivo. Com alianças espertas, embaralhavam diferentemente as cartas para manter sempre o mesmo jogo e, gozadores, repetiam: “façamos nós a revolução antes que o povo a faça”. E a revolução consistia em mudar um pouco para ficar tudo como antes. Destarte, abortavam a emergência de outro sujeito histórico de poder, capaz de ocupar a cena e inaugurar um tempo moderno e menos excludente. Entretanto, contra sua vontade, irromperam redes de movimentos sociais de resistência e de autonomia. Esse poder social se canalizou em poder político até conquistar o poder de Estado.Escândalo dos escândalos para as mentes súcubas e alinhadas aos poderes mundiais: um operário, sobrevivente da grande tribulação, representante da cultura popular, um não educado academicamente na escola dos faraós, chegar ao poder central e devolver ao povo o sentimento de dignidade, de força histórica e de ser sujeito de uma democracia republicana, onde “a coisa pública”, o social, a vida lascada do povo ganhasse centralidade. Na linha de Gandhi, Lula anunciou: “não vim para administrar, vim para cuidar; empresa eu administro, um povo vivo e sofrido eu cuido”. Linguagem inaudita e instauradora de um novo tempo na política brasileira. O “Fome Zero”, depois o “Bolsa Família”, o “Crédito Consignado”, o “Luz para Todos”, o “Minha Casa, minha Vida, o “Agricultura familiar, o “Prouni”, as “Escolas Profissionais”, entre outras iniciativas sociais permitiram que a sociedade dos lascados conhecesse o que nunca as elites econômico-financeiras lhes permitiram: um salto de qualidade. Milhões passaram da miséria sofrida à pobreza digna e laboriosa e da pobreza para a classe média. Toda sociedade se mobilizou para melhor.

Mas essa derrota infligida às elites excludentes e anti-povo, deve ser consolidada nesta eleição por uma vitória convincente para que se configure um “não retorno definitivo” e elas percam a vergonha de se sentirem povo brasileiro assim como é e não como gostariam que fosse. Terminou o longo amanhecer.

Houve três olhares sobre o Brasil. Primeiro, foi visto a partir da praia: os índios assistindo a invasão de suas terras. Segundo, foi visto a partir das caravelas: os portugueses “descobrindo/encobrindo” o Brasil. O terceiro, o Brasil ousou ver-se a si mesmo e aí começou a invenção de uma república mestiça étnica e culturalmente que hoje somos. O Brasil enfrentou ainda quatro duras invasões: a colonização que dizimou os indígenas e introduziu a escravidão; a vinda dos povos novos, os emigrantes europeus que substituíram índios e escravos; a industrialização conservadora de substituição dos anos 30 do século passado mas que criou um vigoroso mercado interno e, por fim, a globalização econômico-financeira, inserindo-nos como sócios menores.

Face a esta história tortuosa, o Brasil se mostrou resiliente, quer dizer, enfrentou estas visões e intromissões, conseguindo dar a volta por cima e aprender de suas desgraças. Agora está colhendo os frutos.

Urge derrotar aquelas forças reacionárias que se escondem atrás do candidato da oposição. Não julgo a pessoa, coisa de Deus, mas o que representa como ator social. Celso Furtado, nosso melhor pensador em economia, morreu deixando uma advertência, título de seu livro A construção interrompida (1993): “Trata-se de saber se temos um futuro como nação que conta no devir humano. Ou se prevalecerão as forças que se empenham em interromper o nosso processo histórico de formação de um Estado-Nação” (p.35). Estas não podem prevalecer. Temos condições de completar a construção do Brasil, derrotando-as com Lula e as forças que realizarão o sonho de Celso Furtado e o nosso.

1 set
2010

Pela liberdade na internet, contra o AI-5 digital do Sen. Azeredo

Transcrevo abaixo post publicado no blog do deputado federal Paulo Teixeira, em apoio à Blogagem Coletiva de repúdio ao AI-5 Digital. O deputado Paulo Teixeira tem feito um trabalho muito sério de defesa da liberdade na internet e de luta pela liberdade de circulação do conhecimento. É um dos maiores expoentes da defesa de normas de propriedade intelectual e de acesso ao conhecimento que privilegiem o interesse público e não apenas o mercado.

É com muita convicção que estou aderindo à blogagem coletiva de repúdio ao AI-5 Digital. Hoje, terça-feira (31/8), um evento organizado pela revista Decision Report fala na “urgência da lei” de crimes eletrônicos. E nós, que defendemos os softwares de códigos abertos e a liberdade na internet; que criminalizamos o vigilantismo e a invasão de privacidade, chamamos a atenção para a urgência de enterrar, de uma vez por todas, o Projeto de Lei que, não por acaso, ficou conhecido como AI-5 Digital.

À medida que determinados setores da sociedade — sobretudo aqueles que querem privilegiar interesses econômicos, relegando a segundo plano os mais elementares direitos civis — insistem em propagar o medo, ressurgem das cinzas os velhos argumentos de que a internet é uma “terra sem lei”, um espaço ideal para a ação de criminosos; e de que é preciso controlar a rede, para se saber quem está por trás dos IPs de usuários comuns.

Este é, portanto, o momento e a vez da nossa mobilização. É de fundamental importância que boa parcela da sociedade civil se manifeste de modo contrário ao vigilantismo na rede. E nós, no Congresso, faremos mais uma articulação para interromper qualquer tentativa de ressuscitar o AI-5 Digital e, além disso, seguiremos no esforço de negociar a votação de leis que não sejam nocivas ao modo como a internet funcionou até agora.

Se fui um dos responsáveis por barrar a primeira tentativa de aprovação do AI-5 Digital na Câmara dos Deputados, além de um dos grandes entusiastas do movimento Mega-não, é porque essa luta também é minha.

A vocês que querem que a internet continue sendo um espaço aberto, livre e democrático, contem com nosso apoio.

25 ago
2010

Debate – Redes Sociais, Juventude e Inclusão Digital

No  dia 14/8  participei de debate  sobre Redes Sociais, Juventude e Inclusão Digital em Guarulhos.

Este foi o terceiro debate do Ciclo de Formação Política, uma excelente iniciativa do mandato do vereador Prof. Rômulo Ornelas e do núcleo Carlos Marighella, ambos do PT de Guarulhos. Quem dera tivéssemos mais iniciativas de formação política como essa.

Foi  uma oportunidade de discutir temas como os impactos das redes sociais nas políticas públicas e as políticas de inclusão digital demandadas pela juventude cada vez mais conectada.

Também foi um momento para pensar uma agenda de lutas para garantir a universalização do acesso à internet de qualidade e à liberdade de produção e circulação de conteúdos na rede.

CLIQUE AQUI PARA VER UM RESUMO DO DEBATE

Muito obrigado ao meu querido amigo Heber, além da Ligia, Darlan, Rogério, Prof. Rômulo e demais amigos (desculpem se esqueci alguém!), pelo convite e pela acolhida muito gentil que recebi.

22 ago
2010

Os piores humoristas

Só se o Lula tiver proibido a imprensa de falar bem dele...

Só se o Lula tiver proibido a imprensa de falar bem dele... (Do blog Quanto Tempo Dura)

Hoje fomos brindados pela manifestação de alguns humoristas contra um dispositivo legal que proíbe que a TV e o rádio apresentem quadros que ridicularizem candidatos durante o período eleitoral.

A manifestação -e a repercussão dada a ela-  vem reforçar a onda que a direita reacionária tem alimentado para tentar infundir o medo da vitória de Dilma: o governo Lula já estaria e o governo Dilma aprofundará a censura e os ataques à liberdade de imprensa. O próprio candidato da aliança da direita conservadora, José Serra, fez a acusação há alguns dias.

Essa acusação é tão descabida que não vale a pena comentar. É um lixo de direita raivosa em que só os leitores da Veja conseguem acreditar. Todo mundo sabe quem manipula a imprensa, coloca assessores para fazer papel de “povo” em debates, demite jornalistas que lhe fazem perguntas embaraçosas e injetou milhões dos contribuintes paulistas em empresas jornalísticas amigas…

O mais interessante da manifestação dos humoristas é a prova de que eles são ruins de timing.  A lei contra a qual protestam foi aprovada em 1997, como uma parte do tripé de operações para reeleger FHC (as outras duas pernas do tripé foram a compra de votos dos deputados para votar a emenda da reeleição e a farsa do estelionato cambial, com a manutenção do câmbio supervalorizado).

Veja aqui mais informações sobre a lei contra a qual os humoristas protestaram.

Ou seja, os humoristas levaram 13 anos para entender e se mobilizar.

Os piores humoristas são os que levam 13 anos para entender a piada…

13 ago
2010

“Quem quer dinheiro?”: a repetência premiada nas escolas paulistas

Quando vi a notícia pela primeira vez em um blog, pensei que devia ser piada. Mas depois ela apareceu em outros locais, inclusive na imprensa. Era uma verdade dessas de nos fazer descrer.

O governo do Estado de São Paulo resolveu que aluno que tirar nota baixa agora ganha um prêmio em dinheiro. É isso mesmo! Alunos que forem mal em Matemática e frequentarem aulas de reforço receberão um incentivo de R$ 50. Clique aqui para ver a notícia.

O que está por trás dessa idéia?

Primeiramente, o risco de ser contraproducente é enorme: muitas crianças poderão tirar notas baixas propositamente, para ganhar os R$ 50. Parece uma gag de programa humorístico. Mas isso nem é o pior; pelo menos as crianças ganharão um dinheirinho…

O problema maior é a miséria intelectual e moral de se propor uma coisa dessas.

Propor essa “repetência premiada” é um ataque apenas aos sintomas, não afeta de maneira nenhuma as causas do problema.  Para isso, não se vê maiores soluções.

Esta medida mostra que o grupo político que dirige o estado há quase trinta anos consegue apenas fazer uma política de tapa-buraco educacional. E fracassada. Seduzidos pelo lucrativo mercado, e com o silencioso apoio da classe média, transformaram a escola pública em “coisa para pobre”.

Implantar a “repetência premiada” é reconhecer, sem declarar, a má qualidade do ensino público paulista. Se é preciso uma ação dessa envergadura para oferecer reforço escolar, é sinal de que o ensino vai mal. Por mais que o governo do estado tente convencer-nos do contrário, com os milhões de reais torrados em propaganda eleitoral disfarçada de publicidade oficial.

A educação pública paulista rendeu-se a uma prática cada vez mais disseminada: os únicos insumos para o desenho de  políticas públicas são sua visibilidade na mídia e os possíveis benefícios (políticos ou outros) a trazer aos governantes.

Não é com cartilhas milionárias, impressas sempre pelas mesmas gráficas, que se constrói educação de qualidade (veja o site NaMaria News para conhecer o balcão de negócios da educação paulista).

Tampouco pagando salários de fome, distribuindo vales-coxinha e mandando a polícia bater nos professores é que se vai  construir um ambiente propício ao aprendizado nas escolas.

Nem prossigo na listagem das mazelas e fracassos da educação pública paulista porque, se esse grupo político teve quase trinta anos e não fez coisa melhor que isso, não vai ser agora -e muito menos lendo esta crítica modesta- que aprenderão.

O que se quer ensinar?

Por fim, o mais lamentável. Essa proposta fundamenta-se na ideia de que o único valor que move os indivíduos, desde a infância, é o dinheiro.

A “repetência premiada”, se implantada, ajudará a  consolidar essa visão egoísta do mundo. Ensinará às crianças que não devem estudar para aprender, ou para serem cidadãos melhores, ou para melhorar seu futuro. Nada  disso: os educadores de mercado ensinam que as crianças só devem fazer o que lhes der um benefício imediato. Esses educadores ensinam que o dinheiro é a única recompensa que interessa.

Sou obrigado a considerar que quem tende a acreditar nisso, provavelmente pratica o mesmo…

11 ago
2010

Mestrado em Sistemas de Informação – EACH-USP

Estão abertas as inscrições para o novo Programa de Pós-Graduação em Sistemas de Informação (PPGSI), sediado na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da Universidade de São Paulo (USP).

O objetivo do Programa é formar pesquisadores com conhecimentos aprofundados no campo interdisciplinar de Sistemas de Informação, o qual abrange aspectos tecnológicos, computacionais, humanos e organizacionais de sistemas. Para isso, considera  três eixos de atuação: (1) Aspectos Sociais e Organizacionais de SI, (2) Desenvolvimento de Sistemas Computacionais e (3) Inteligência Computacional.

Com esta abordagem interdisciplinar, o programa pretende ser um centro de formação de recursos humanos para a pesquisa e docência em Sistemas de Informação no Brasil e, em particular, na região metropolitana da cidade de São Paulo.

Período de inscrição
28/06/2010 a 13/08/2010

Início das aulas

20/09/2010

Público-alvo
O PPGSI está interessado em receber candidatos com formação nas seguintes áreas:
- Bacharelado em Sistemas de Informação (SI), Informática ou Análise de Sistemas
- Bacharelado em Ciência da Computação (CC)
- Engenharia com conhecimentos em CC ou SI
- Licenciatura em Ciência da Computação
- Administração com conhecimentos em SI ou TI (Tecnologia da Informação)
- Outras áreas de conhecimento (e.g., Administração, Ciências Sociais, Economia, Estatística, Filosofia, Física, Matemática e Química) com conhecimentos em CC ou SI.

Informações adicionais sobre o PPGSI e o processo seletivo: http://www.each.usp.br/ppgsi/

30 jun
2010

Garantia de Acesso a Informações Públicas

No dia 23 de junho último, publiquei, no jornal Brasil Econômico, artigo sobre transparência e acesso a informações públicas, escrito em co-autoria com Manuella Maia Ribeiro, de quem tive a  honra de ter sido orientador de iniciação científica e TCC na EACH-USP. Atualmente, ela cursa o Mestrado em Administração Pública na FGV-SP. É muito bom ver nossos ex-alunos se destacando…

Leia o artigo abaixo:

Garantia de Acesso a Informações Públicas

José Carlos Vaz e Manuella Maia Ribeiro

A internet parece ser o meio ideal para a divulgação das prestações de contas dos governos para a sociedade: é rápida, barata, fácil de usar e tem alta penetração. De fato, há dez anos temos leis que exigem a publicação de contas públicas na internet, mas sem maiores exigências e com um impacto restrito.

Nos últimos anos, algumas iniciativas governamentais têm superado as exigências legais e promovido o acesso à informação pública: são os portais de transparência. A partir da pioneira e premiada iniciativa do Portal da Transparência do Governo Federal, que divulga todas as receitas e despesas da União, vários estados e municípios implantaram portais com o mesmo objetivo.

Atualmente, vinte e cinco estados brasileiros e o Distrito Federal possuem portais de transparência. Somente o Estado de São Paulo não possui um website exclusivo para a divulgação de seus dados.

Entre os municípios, o exemplo pioneiro do do Rio de Janeiro, iniciado em 2006, permite consultas personalizadas aos pagamentos orçamentários e extra-orçamentários feitos pelo Executivo e os recursos municipais arrecadados com alto nível de detalhamento. Alguns outros municípios, como São Paulo, São Carlos e Caçapava (SP) também têm experiências relevantes.

A disseminação dos portais de transparência também alcança órgãos de controle, como Tribunais de Contas e Ministérios Públicos Estaduais, que divulgam suas próprias informações e/ou informações de outros órgãos. Esses portais, como o do TCE-MT, permitem a denúncia de irregularidades pelos cidadãos através da Internet, inclusive com o envio de fotos e documentos para denúncias.

Não podemos nos empolgar com o surgimento desses portais de transparência em estados e municípios. Além de serem experiências isoladas, há muita informação que ainda não está disponível para a sociedade. Ou seu acesso é difícil e o processamento muito trabalhoso.

A Lei de Transparência (LC 131, de 27/5/2009) traz um novo desafio: estabelece que os governos devem publicar os dados orçamentários e de gastos em tempo real na internet. O projeto de Lei de Acesso à Informação Pública, tramitando no Senado, prevê a publicação de informações sobre contas públicas e dos dados gerais para o acompanhamento de programas, ações, projetos e obras. Prevê, ainda, a obrigação de divulgar as informações de modo que sejam facilmente acessadas, compreendidas e atualizadas.

Implantar na plenitude esses dispositivos será uma tarefa difícil mesmo para os governos bem-intencionados… Mas os desafios maiores parecem vir da sociedade civil. Insatisfeitos com um padrão de transparência em que o Estado determina o formato e o conteúdo das informações entregues à sociedade, grupos da sociedade civil exigem acesso a dados abertos. Esses grupos defendem que a divulgação dos bases de dados que possam ser processadas por programas construídos pela sociedade civil, o que torna os cidadãos capazes de analisar as informações governamentais com mais profundidade.

Essa proposta, defendida por grupos como o Transparência Hackday (http://migre.me/R7BS), amplia o foco da transparência: não basta que ela ajude a combater a corrupção e se limitar ao controle dos gastos públicos. Deve alcançar a qualidade do gasto e permitir que a sociedade civil tenha informações para monitorar e avaliar as políticas públicas.

28 jun
2010

Notas GPTI 2010

Nesta terça-feira, estarei na EACH às 9h para apresentar as provas aos alunos do matutino e tirar eventuais dúvidas.

Alunos do noturno que precisem falar comigo, entrem em contato por e-mail.

Boas férias e obrigado por sua colaboração neste semestre.

Clique aqui para ver as notas.

16 jun
2010

Marcio Pochmann: Para onde vai São Paulo?

Vale a pena ler o artigo “Para onde vai São Paulo”, publicado hoje pelo presidente do IPEA, Marcio Pochmann.

Analisando a evolução dos setores da economia paulista e do PIB do estado, Pochmann mostra que a locomotiva paulista já não é mais a mesma, e que talvez esteja andando para trás:

O que se verifica, inclusive, são sinais de decadência, com a queda da importância relativa de São Paulo na economia nacional, de quase 36% em 1996 para 33% em 2007, e a queda da importância paulista no conjunto da população brasileira não pobre, de 37% para menos de 32%. Ademais, observa-se que as escolhas governamentais mais recentes apostam mais no passado do que no futuro.

Pode-se até tentar relativizar a dança dos números.  Há quem vá dizer que  em parte pode ser explicada pelo contribuição de várias de políticas públicas do atual governo federal para a redução das desigualdades regionais. Mas o mais preocupante é a constatação de que S. Paulo vem perdendo mudando o perfil de sua economia, ao deixar de investir em educação e tecnologia da informação: os setores que mais crescem são o setor financeiro e o agronegócio.  Em detrimento da indústria e de serviços baseados em tecnologia e conhecimento.

Clique aqui para ler.

14 jun
2010

Defesa Nacional: o que está em debate?

Há dez anos, o Brasil era um país fadado ao fracasso, vivendo de crise em crise, sem maior presença na arena das discussões internacionais.

A defesa nacional, na cabeça de muitos, sustentava-se na idéia de que o Brasil era um país que não oferecia riscos a ninguém. Aos seus vizinhos, por ser um país pacífico.  Aos países poderosos, por ser um país bem-comportado, que aceitava os ditames dos países ricos, comprava sua ideologia, aceitava suas normas econômicas, privatizava suas empresas e abria sua economia indiscriminadamente à concorrência externa.

Um país desses podia   sucatear suas forças armadas, permitir que informações estratégicas ficassem em mãos estrangeiras sem controle, usar software em seus aviões e navios sem saber o que havia em seus códigos-fonte, depender de tecnologia estrangeira para defender-se etc.

Os últimos anos trouxeram uma mudança no papel do Brasil no mundo. Além dos méritos próprios do governo brasileiro, que conduz uma política externa  independente, talvez pela primeira vez na história, a correlação de forças no mundo vem se transformando.

Além disso, nosso país dispõe de grande potencial em pelo menos 4 recursos críticos para as próximas décadas: energia fóssil e renovável, urânio (e capacidade de enriquecê-lo), água e alimentos. Um mais cobiçado que o outro…

Nesse novo quadro, nosso país é chamado a ocupar outro lugar. Essa presença diferenciada exige pensarmos na Defesa Nacional como uma importante política pública.

As eleições deste ano trazem esta questão. Esquematicamente, parecem defrontar-se dois modelos bastante distindos de inserção do Brasil no panorama internacional. Do lado do governo, um discurso e uma prática que têm valorizado uma posição mais independente, uma preocupação maior com os aspectos estratégicos da defesa nacional e a busca de construção de novas relações solidárias com os países ditos emergentes. Do lado da oposição, tanto o discurso presente quanto a prática de seu passado governo parecem indicar exatamente o contrário, e não se vê esforços em desmenti-lo.

Nós, que trabalhamos com gestão e políticas públicas, precisamos incorporar essa temática  e produzir mais a respeito.  Novos campos de investigação precisam ser abertos, nossos alunos precisam estudar o assunto, é preciso que criemos espaços de debate, já que da grande mídia brasileira (um verdadeiro lixo, com quase nenhuma exceção) não dá para esperar nada…

Como uma modesta contribuição, indico o artigo Serra, Bolívia e Irã: segurança para quem?, do jornalista Beto Almeida, publicado no  Carta Maior.

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